Aprender é como andar de bicicleta

bicicleta aprender

AUTOR: João Leite (Psicólogo)

A APRENDIZAGEM, sendo uma caminhada específica, própria de cada APRENDENTE, de acordo com as diferentes formas que cada um melhor usa para se apropriar do que o rodeia e lhe é servido como estímulo, pode ser comparada…, para efeitos de imagem suscitada e simplificação do processo…, a andar de bicicleta. E a primeira ideia forte nesta comparação, provavelmente considerada tosca a princípio…, é que ninguém pode andar por nós… de bicicleta!

Outra ideia que merece sublinhado pela importância que encerra é que andar de bicicleta APRENDE-SE…, mas jamais por explicação, muito menos por POWER POINT! E não prescinde do corpo, em momento algum, para chegar ao resultado! Da mesma forma que o que dá identidade à bicicleta é a presença das duas rodas alinhadas, também na aprendizagem precisamos de alinhar duas categorias de fatores:

i. os FATORES DE CONDIÇÃO
aqueles que funcionam como condições prévias, pontos de apoio, patamares que necessitam de ser ativados para que os outros fatores ( ESTRUTURAÇÃO ) possam operar. São como a roda de trás da bicicleta, onde nos apoiamos antes mesmo de dar ao pedal, funcionando como base de partida; Sem estarmos sentados, lá, na bicicleta, e sem notarmos em nós a presença de uma vontade crescente de andar com ela…, dificilmente teremos resultados;

ii. os FATORES DE ESTRUTURAÇÃO
aqueles que nos colocam em movimento, partindo da base de apoio. São os fatores que moldam a vontade e a vestem de competência! É com este tipo de fatores que cavalgamos da ação para a perfeição, garantida e preservada a emoção!

Gosto particularmente desta colagem da APRENDIZAGEM ao andar de bicicleta. Pelas razões já adiantadas e por mais um conjunto delas que não resisto a partilhar…, na expetativa que possa inspirar quem se dedica ou venha dedicar a tão nobre intervenção…, a de levar os outros a aprender. Aqui ficam algumas…

1. andar de bicicleta é indissociável do prazer, da fruição, do gozo, da emancipação…, já que de posse da competência, podemos escolher os destinos e rolar para lá;
2. só nos consideramos aptos a andar de bicicleta quando nos metemos ao caminho sem a presença de quem quer que seja para nos dar indicações;
3. o processo de aprendizagem é global, interativo, integrado e em mosaico. Não começamos pela aprendizagem do equilíbrio, depois pela coordenação das pedaladas e, mais tarde pela inclinação nas curvas. Não! A aprendizagem é integrada e ao ritmo de cada um;
4. por muito que alguém se esforce por nos ensinar a andar de bicicleta, de nada adianta. É o próprio que aprende…, não se ensina;
5. ninguém precisa de se preparar, nem fazer um teste escrito para, dependendo da nota, ser declarado capaz para andar de bicicleta! Basta vê-lo em ação;
6. “ é como andar de bicicleta. Nunca mais esquece! “… conhecem esta frase popular? É a minha preferida, pela mensagem que encerra. Quando se aprende, se liga e faz sentido…, mandamos a memória de férias!