Não se aprende de TROMBAS!

trombas2 - Cópia

Por João Leite (Psicólogo)

Disseram-me, mais um vulto que caminhava ao meu lado sem que eu me tivesse disso apercebido, é assim naquela rua, sempre a acontecer o que marca sem que se apresente como marca…, que já foi designada como rua da EVIDÊNCIA PERMANENTE DE VIDA e só porque o comprimento assim aconselhava, foi mudado o topónimo para um conceito que, englobando a antiga designação, dissesse exatamente o mesmo com menos palavras. Dai ter surgido a atual designação…, rua da APREDNIZAGEM!

Quando o vulto acelerou o passo, ou terei sido eu a abrandar a marcha…, só pode ter sido, os vultos daquela rua não prescindem da serenidade, e abrandei porque fiquei a pensar na explicação para o atual nome da rua…, reparei que ele tinha deixado cair um bilhete no chão, mais um…, provavelmente sem se ter apercebido. Claro que o recolhi e, de imediato, o li! E sorri! Apesar do bilhete falar em trombas ! Ou… por isso mesmo !

Tirar a fruição, o prazer, o consolo, a brincadeira do processo de aprendizagem é abrir a porta à contrafação! Ou seja, deixar entrar o ensino…, o decorar…, a memória em esforço…, o estudar…, ou enfardar?… e, pior do que cada um destes artistas em separado, é dar-lhes condições para que trabalhem em conjunto…, rumo a uma nota escolar que os irá justificar, qualquer que ela seja!

A facilidade com que se confunde o sério com o sisudo é assustadora! E conotar a escola, como contexto de aprendizagem, com o sério que, afinal, é sisudo…, é convidar o aprendente a fugir da aprendizagem…, daquela que nos impingem como tal, estando por isso mesmo longe de o ser! Não se aprende de trombas! Justamente!

Por isso o vulto ia a rir-se. De vontade ! Provavelmente continuava a aprender enquanto passeava por aquela impressionante rua que, não mais, quero deixar de frequentar.

A APRENDIZAGEM acontece num determinado ambiente químico que promove um comportamento de ligação ao cérebro. Tal ambiente químico, uma combinação harmoniosa de determinados medidores, é ditado pelas circunstâncias e, mais do que isso, pela perceção que a pessoa faz do que lhe está a acontecer. Ora, se o que temos pela frente não é divertido, assusta ou exige uma seriedade a roçar o sisudo…, os mediadores químicos libertados para a corrente sanguínea serão outros…, o ambiente químico é diverso e o efeito a condizer. Ou seja, não haverá aprendizagem!

Se conseguirmos ir até à nossa infância e nos lembrarmos da circunstância mais bonita, mais mágica, mais natural e estruturante que tínhamos, algo que acontecia de maneira envolvente e nos arrebatava como estruturava, vamos chegar à brincadeira! Porque brincar e APRENDER não tinham, não têm… como se separar ou distinguir! Então…, porque passamos a evitar, a desconfiar e a afastar tudo quanto faça lembrar a brincadeira ? Será para, pela seriedade… podendo ir até às trombas…, explicitarmos que já nada temos a aprender ?

Sorri, outra vez, deixando o bilhete numa folha de árvore…, não vá alguém passar e querer brincar com ele!