As estações da viagem da aprendizagem

Autoria: João Leite (Psicólogo)

Aos seus lugares…. é uma instrução sem a qual não se dá o sinal de partida numa prova de atletismo ou natação. Ou seja, é uma regra protocolar que permite colocar todos os candidatos à prova na mesma posição e disposição para a prova que têm à sua frente.
E na APRENDIZAGEM? Quais as posições indicadas para quem se aventura na APRENDIZAGEM?

Se nos dispusermos a identificar e caraterizar as ESTAÇÕES que é necessário passar para que a viagem da APRENDIZAGEM decorra de forma sequencial e produtiva, viajante e maquinista terão a possibilidade de alinhar valores e estratégias e, em articulação e interação, criar estados propícios a apropriações. Convém relembrar que, à semelhança de uma viagem, ao maquinista cabe a movimentação cadenciada da locomotiva rumo à estação de destino, mas é o viajante quem viaja, acedendo e pontuando as paisagens com que se vai confrontando.

À entrada, identificado o nosso lugar, precisamos de nos sentir confortáveis, À VONTADE, ajustados ao novo espaço e em harmonia com os, agora, parceiros de viagem. Imediatamente, e como medida de integração, é fundamental que percebamos que temos alguma coisa a acrescentar naquela viagem. Seja o que já sabemos, alguma experiência, alguma vivência… o que quer que seja e que permita, a todos, distinguir a pessoa que se senta… do assento. É determinante que, a propósito das interações iniciais, cada viajante experimente a sensação de conhecer e TER PARA DAR!
E, consequência natural da anterior, está instalada a PARTICIPAÇÃO!

Sem passarmos por esta estação, a aprendizagem fica comprometida! Será um passar árido de paisagens a correr.
Sendo estas três primeiras estações dedicadas ao envolvimento do viajante, à conquista de confiança e ao reforço da vontade de chegar ao destino com todos os que consigo estão, está criada a condição para o DESAFIO…, a posição que, beneficiando do que até aí se conquistou nos viajantes, parte para a descoberta, cujas portas de acesso são os problemas, as questões, as inquietações.
Assegurados estes ingrediente, com a viagem a correr, os viajantes presentes, mobilizados e cientes de que estão em movimento intencional, é chegado o momento de os colocar a fazer…
e a VEREM-SE A FAZER o que não eram capazes de fazer antes. Mas não acaba aqui!
Estação essencial é a que disputa o que fazem, na procura da substância, dos raciocínios que suportam o que fazem. Trata-se de exercitar o PENSAR!
Pensar o que fazem, como fazem, porque e para que fazem o que fazem. Mas também o porquê da viagem e quem são…, agora que fizeram, de forma integrada e participada, tal viagem. E pensarem sobre si próprios, sobre a vida que transportam e o que pretendem trazer à vida que procuram.

viajar aprender